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Presidente da Abimaq defende ‘choque de oferta’ no campo como remédio contra inflação

Uma das entidades organizadoras da Agrishow, em Ribeirão Preto, vê momento favorável para vendas de máquinas agrícolas, apesar de queda em outros setores.

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Com fatores favoráveis como a supersafra de grãos e uma alta nas vendas de máquinas agrícolas em relação a 2016, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan, defende como um dos motes da Agrishow 2017 o choque de oferta de alimentos como um dos caminhos para reequilibrar a economia brasileira.

“O Brasil tem que ter choque de oferta e a agricultura mostrou que com choque de oferta, com a oferta de alimentos mais baratos, mais abundantes, estamos conseguindo baixar a inflação. É esse que é o grande mérito do agronegócio hoje”, afirma Marchesan.

Uma das maiores feiras de agronegócio da América Latina, o evento que acontece até 5 de maio em Ribeirão Preto tem a expectativa de pelo menos bater a casa de R$ 1,95 bilhão em negócios firmados, em um cenário esperado como de recuperação.

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Mais de 150 mil visitantes de diferentes regiões do Brasil e de mais de 70 países são esperados para conferir estandes de 800 marcas nacionais e internacionais.

Máquinas agrícolas

Dados da Abimaq apontam que houve queda de 17% no faturamento das indústrias de todo o setor de bens de produção entre fevereiro deste ano e o mesmo período do ano passado. Assim como o nível do emprego, com redução de 5,9%.

Mas quando analisado isoladamente, o setor de máquinas agrícolas vive uma realidade distinta, segundo Marchesan, que projeta uma elevação de 15% nas vendas nesta edição da Agrishow.

“Máquinas agrícolas é um ponto fora da curva, porque atende basicamente o agronegócio, setor que está pujante. O agronegócio cresceu 4,5% no ano passado. Espera-se que ele cresça nessa mesma faixa este ano”, diz.

A projeção é reforçada por retrospectos positivos como das exportações, que subiram 40% em fevereiro, o que deixou esse sub-segmento com o melhor desempenho entre os outros de máquinas em geral. Máquinas para petróleo e energia renovável também tiveram alta, com aumento de 37,9%.

“Este ano, em função da queda das vendas do mercado interno, as exportações passaram a representar 44% do faturamento da Abimaq, independente da situação cambial que tira a competitividade do Brasil hoje. Nosso câmbio, para ser competitivo para a indústria de máquinas, precisaria ser de R$ 3,60. Hoje está a R$ 3.”

‘Choque de oferta’

A elevação nas vendas de máquinas é associada ao retrospecto da lavoura, com produção recorde de grãos como soja, com 117 milhões de toneladas, e milho, com 95 milhões de toneladas, que também ajudou a reduzir os preços no mercado interno em um momento de recessão econômica e falta de confiança.

“A agricultura, por outro lado, ajudou no choque de oferta de alimentos para baixar a inflação. A equação não se resolve da forma como estamos vendo: reduzir a atividade, aumentar os juros, baixar o câmbio e fazer com que o país pare, não”, defende Marchesan.

Conjuntura que poderia ser mais favoráveo, segundo ele, não fossem fatores como a alta carga de impostos brasileira, os déficits públicos e um elevado Custo Brasil. As reformas trabalhista e tributária, para ele, são essenciais para que a economia como um todo, e não só um único segmento, se restabeleça.

“O tecido social brasileiro não suporta mais essa situação que estamos vivendo hoje. O Brasil precisa voltar a crescer.”

fonte: G1 Ribeirão e Franca

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